Vamos falar de suicídio e acabar com o tabu!

Vamos falar de suicídio e acabar com o tabu!

Vamos falar de suicídio e acabar com o tabu! 720 480 Ana Monção

Acabar com o tabu!

Falar em suicídio sempre foi tabu. É assustador, estigmatizante para o próprio e temos frequentemente sobre o suicídio ideias erradas porque nos falta conhecimento.

Hoje convido-vos a visualizar um dos mais autênticos testemunhos que já ouvi de alguém que teve uma depressão profunda e tentou o suicídio.

Este testemunho, por mais que os nossos corações se apertem ao ouvi-lo, permite-nos perceber e não julgar casos como a recente morte do actor Pedro Lima. Ao contrário do que possamos pensar, não se trata de egoísmo; ao contrário de um primeiro impulso para julgar, não se trata de fraqueza ou cobardia.

John Nieuwenburg abre a sua intimidade e leva-nos a entender que uma depressão profunda não é equivalente a alterações de humor em que dizemos “Ultimamente ando um bocado deprimido”, “Ultimamente sinto-me um pouco triste”.

O estado depressivo é um contínuo, de pouco deprimido a profundamente deprimido, o que equivale a dizer que há vários graus de gravidade. Nesse contínuo, a depressão profunda é uma situação grave. As frequentes ideias em torno da própria morte, uma profunda angústia e desesperança são sinais de alarme para procurar ajuda imediata, se não antes.

Como é que alguém chega ao ponto de achar que o suicídio é a melhor saída? Ou, pior, a única saída? – pergunta-se Nieuwenburg.

A depressão profunda é uma dor tão intensa que leva a pessoa a querer acabar com a vida para eliminar um sofrimento atroz que já não consegue controlar. O suicídio é então visto pela pessoa, cujo raciocínio lógico está nesse momento afectado, alterado, como a única solução para a dor emocional e a falta de esperança.

Ao contrário do que possamos pensar, as pessoas nessa condição não querem morrer, querem aliviar a dor.

John Nieuwenburg, emocionado, fala de si para acabar com o estigma que rodeia a saúde mental – que só acontece aos outros, que tratar da saúde mental é só para fracos.

Mostra também as vantagens de acabar com o preconceito: tratamento, ajuda e apoio mais acessíveis, menor custo emocional para as famílias e os que sofrem, mais vidas salvas, maior sentimento de aceitação e integração.

Por que razão as pessoas não procuram ajuda?

Um estudo científico de 2018 reporta que, para as pessoas que reconheciam necessidade de tratamento, a principal razão por que não o procuraram deveu-se ao facto de pensarem ser capazes de gerir a situação sozinhos.

Num outro estudo de 2012 (Barriers to Mental Health Care and Predictors of Treatment Dropout in the South African Stress and Health Study) encontraram-se as seguintes atitudes-barreira para não se procurar ajuda: não percepcionar a necessidade de tratamento; crer que o distúrbio irá melhorar por si só; achar que o problema é resultado de uma fraqueza pessoal; o estigma; o desejo de lidar com o problema por conta própria.

Estas são apenas algumas das barreiras internas que iremos discutir durante este mês de Julho neste Blog e nas outras redes sociais (FacebookInstagram).

O sentimento de culpa e impotência dos que estão próximos

Neste outro testemunho também podemos perceber como a depressão profunda afecta as famílias que frequentemente se sentem impotentes ou culpadas por não terem conseguido evitar ou chegar a tempo.

Enquanto Mike Wallace, jornalista e actor americano, fala no que sentiu nas três crises de depressão profunda que o levaram a pensar no suicídio ou a tentá-lo,  ouvimos igualmente comentários da sua esposa que o acompanhou.

Não perguntem: Porquê o suicídio?
Perguntem: Porquê a dor?

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