Resistência psicológica ao COVID-19

Resistência psicológica ao COVID-19

Resistência psicológica ao COVID-19 605 383 Ana Monção

Inúmeros alertas vêm da OMS, de estudos científicos e de uma imprensa séria: a pandemia está a ter e vai ter consequências na nossa saúde mental e esse facto não deve ser negligenciado por cada um de nós.

Segundo dados da organização, os sintomas de pânico e angústia aumentaram 35% na China, 60% no Irão e 40% nos Estados Unidos, três dos países mais afectados pela pandemia(…).

Entre os profissionais de saúde, de acordo com um estudo do Canadá citado pela OMS, quase metade dos inquiridos (47%) declarou que precisava de apoio psicológico, enquanto na China 50% sofriam de depressão, 45% de ansiedade e 34% de insónia (Jornal PÙBLICO, 14 de Maio de 2020).

Estas são apenas algumas medidas práticas de resistência psicológica ao COVID-19, quotidianas que podem ser seguidas e ajudam, mas não substituem a necessidade de apoio psicológico em casos de grande ansiedade, sentimentos depressivos, tristeza, ataques de pânico, etc. Cabe a cada um de nós fazer a distinção.

1. Controle o que pode e não tente controlar o que não pode:

Propagação do vírus, disseminação de medo é uma reacção imediata de tipo estímulo – resposta, ou seja, perante o que percepcionamos como perigo, deixamo-nos invadir-nos por um medo generalizado, um medo de tudo. O antídoto é perceber exactamente qual é o risco e tomar medidas práticas contra ele: uso de máscaras cirúrgicas, maiores cuidados de higiene, distanciamento físico. Nada mais podemos controlar e já é muito, e já nos ocupa muito tempo e energia

2. Ter presente a motivação:

Manter consciente as razões pelas quais nos estamos a isolar – protegermo-nos e proteger os outros, em geral, e em particular, os que nos são afetivamente mais próximos.

3. Fazer distinção entre “distanciamento”, “isolamento” e “solidão”:

“Distanciamento social” é uma expressão que está a ser usada como equivalente a distanciamento físico uns dos outros (por exemplo, os tais 2 metros de segurança). Este pode, obviamente, reduzi ro contacto social mas não o impede necessariamente (pode cumprimentar-se o vizinho com uma aceno, um olá, conversar de máscara, usar as redes sociais…). “Isolamento” é um termo que se destina às pessoas que sabendo estar infectadas se têm de se manter sem contacto durante um período de tempo. Finalmente, a solidão pode não advir de nenhuma das condições anteriores. Podemos estar confinados e não nos sentirmos sós, podemos estar no meio de uma multidão e sentirmo-nos sozinhos. Se há sentimento de solidão, pensar se já existia e no que podemos fazer actualmente para a minorar ou resolver.

4. Ver as consequências positivas do Covid:

Mais tempo par nós, para a família, para estarmos com os nossos filhos, para lermos o que temos atrasado, etc.

5. Estar sempre ocupado:

Planear o dia com várias actividades, sejam elas ler um livro, ver filmes, iniciar uma tarefa inacabada, cozinhar uma nova receita, etc. Isso ajuda-nos a viver no presente e a não estar ligado ao quadro geral da pandemia e a ter pensamentos negativos

6. Manter-se em contacto com as pessoas significativas:

Seja através das novas tecnologias, sejam visitando-as de máscara. Não está só a dar apoio e conforto, está também a receber, o que ajudará ao nosso equilíbrio

7. Ter rotinas:

E manter essa agenda – isto é, ter um dia estruturado. Tempo para se arranjar, para as refeições, para brincar com os filhos, para ler, outro tempo para trabalhar, outro ainda para se distrair e descontrair. A rotina ajuda a acalmar medos e ansiedades. Manter de preferência os horários usuais que já se tinha antes do Covid, levantar e deitar às mesmas horas, mesmas horas para refeições

8. Quebrar as rotinas:

Fazer alguma coisa diferente, ter um dia diferente dos outros. Por exemplo dançar na sala com os filhos, gravar um vídeo louco em família… Esta quebra ou loucura momentânea, ajuda a recarregar as energias

9. Estar informado mas limitar a exposição às notícias:

Um a dois jornais ou telejornais máximo, 1 hora por dia dedicada à actualidade COVID 19, é amplamente suficiente para se manter informado em vez de se “radioactivar” com notícias negativas. Longas exposições a notícias do tipo aumentam a ansiedade

10. Manter o olhar positivo sobre as coisas e exercitar o humor.

11. Lembrar-se que é temporário:

Dizer-se “o que não posso fazer agora vou poder fazê-lo dentro de 1 ano”

There’s a time that I remember, when I did not know no pain
When I believed in forever, and everything would stay the same
Now my heart feel like December when somebody say your name
‘Cause I can’t reach out to call you, but I know I will one day, yeah
Everybody hurts sometimes
Everybody hurts someday, ayy ayy
But everything gon’ be alright
Go and raise a glass and say, ayy

12. Arranjar-se, tomar duche, colocar roupas novas, maquilhar-se:

Ajuda a manter a auto-estima e a sensação de um dia novo, fresco, com energia, mas com rotinas já existentes antes do Covid.

13. Adequado exercício e nutrição:

Exercício moderado estimula mentalmente, enquanto que, durante a pandemia, muito exercício físico provou ser contraproducente psicologicamente, uma vez que aumenta o sentimento de impossibilidade e restrição.

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