Mudança terapêutica (5, continuação)

Mudança terapêutica (5, continuação)

Mudança terapêutica (5, continuação) 564 356 Ana Monção

(fotos acima, L’ été (O Verão) de Katia Chausheva)

As condições de relacionamento fornecidas pelo terapeuta — o olhar incondicional positivo, a compreensão empática e o carácter genuíno da relação (ou congruência)– são consideradas importantes promotores de mudança terapêutica. No processo terapêutico, tal como ele é entendido no quadro da Terapia Centrada no Cliente, o terapeuta não tenta direccionar o cliente, mas responder de forma empática à sua expressão, ajudando-o a explorar e compreender de forma mais profunda a sua experiência. Esta facilitação é conseguida não só pela garantia das condições atitudinais acima referidas, mas pela particular atenção ao carácter único dos sentimentos e significados de cada pessoa.

Rogers postulou (1957: 96-97) a existência de seis condições necessárias e suficientes para a mudança terapêutica:

  1. que duas pessoas estejam em contacto psicológico;
  2. que a primeira, designada como o cliente, apresente um estado de incongruência, estando vulnerável e ansiosa;
  3. que a segunda pessoa, designada como o terapeuta, esteja congruente ou integrada na relação;
  4. que o terapeuta experiencie consideração positiva incondicional pelo cliente;
  5. que o terapeuta experiencie uma compreensão empática do esquema de referências interno do cliente e se esforce por lhe comunicar essa experiência;
  6. que a comunicação ao cliente da compreensão empática do terapeuta e da consideração positiva incondicional seja efectivada, pelo menos num grau mínimo.

As condições 2 a 6 descrevem a inter-relação entre terapeuta e cliente, sendo as condições 3 a 6 fornecidas pelo terapeuta.

Considera-se que a condição 6 está presente se, e só se, o cliente percepcionar as atitudes do terapeuta acima mencionadas. Isto é, a presença destas atitudes no terapeuta não provoca necessariamente uma mudança, esta só ocorre se o cliente as experienciar.

Barrett-Lennard (1962: 2) insiste neste ponto, defendendo mesmo a hipótese de que é o que o cliente experiencia (mais do que o terapeuta experiencia na relação com o seu cliente) que o afecta directamente na terapia, ou seja, que são as percepções do cliente o agente directo da mudança terapêutica: “A basic general postulate of the present investigation is that the client’s experience of his therapist’s response is the primary locus of therapeutic influence in their relationship. (…) It follows from this that the relationship as experienced by the client (rather than by the therapist) will be most crucially related to the outcome of therapy”.

(in Ana Monção (2001), Dissertação de Doutoramento)

 

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