Mudança terapêutica (4, continuação)

Mudança terapêutica (4, continuação)

Mudança terapêutica (4, continuação) 736 552 Ana Monção

Raskin (1952, An Objective Study of the ‘Locus of evaluation’ Factor in Psychotherapy, Dissertação de Doutoramento, cit in Vargas 1954: 146) verificou que a variável “auto-dependência” encontra expressão no parâmetro ‘locus de avaliação’ e progride com a terapia, isto é, que progressivamente a avaliação muda de externa (avaliação pelos outros) para uma avaliação interna (a avaliação tem como fonte o eu).

Hogan (1948, cit. in Vargas 1954: 147), na sua Dissertação de Doutoramento, e Haigh (1949: 187) demonstram que a terapia se correlaciona negativamente com a atitude defensiva: esta atitude manifesta-se quando determinadas experiências são percepcionadas como incongruentes com a estrutura do eu.

Finalmente, o estudo de Vargas (1954: 147) explora uma outra dimensão do auto-conceito — a auto-consciência –, formulando duas principais hipóteses. De acordo com a primeira, quando a pessoa se encontra num processo de mudança dos padrões psicológicos estabelecidos, a consciência de si tende a aumentar de três modos diferentes:

  1. a) o indivíduo percepciona-se ou pensa mais vezes acerca de si do que se não estivesse empenhado num processo de mudança,
  2. b) se resolve ou perde um padrão estabelecido de percepção do eu, o indivíduo deixa de se preocupar e de estar consciente desse padrão, passando a preocupar-se com outros padrões anteriores,
  3. c) quando os padrões estabelecidos se perdem, a pessoa descobre em si conceitos, novos sentimentos e experiências, isto é, padrões emergentes. De acordo com a segunda hipótese, os clientes que experienciam diversos graus de sucesso na psicoterapia, devem experienciar diferentes graus de aumento de auto-consciência — coloca-se assim como hipótese que os clientes mais bem sucedidos mostrem aumentos maiores de auto-consciência do que os clientes menos bem sucedidos.
(continua)
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