Empatia: investigação sobre o conceito

Empatia: investigação sobre o conceito

Empatia: investigação sobre o conceito 2560 1440 Ana Monção

Empatia

investigação sobre o conceito

A introdução do termo empatia na psicologia americana

Uma primeira consulta ao dicionário informa-nos que a empatia é “a capacidade de se identificar com o Outro, de sentir o que ele sente”. Note-se que esta definição comporta precisamente os elementos que estão na base do debate em torno do conceito: há um processo de identificação na empatia? Há uma partilha dos afetos?

O psicólogo anglo-saxónico Titchener (1909), retomando esta tese, define a empathy como a “amálgama de imagens visuais e cinestésicas através das quais certas experiências percetivas se tornam possíveis”. Atribui à empatia, simultaneamente, uma função percetiva e social. Foi Titchner o introdutor da problemática da empatia na psicologia americana.

Carl Rogers e o conceito de empatia

Figura emblemática da psicologia humanista norte-americana, Rogers desenvolve uma relação de ajuda psicoterapêutica de tipo não diretivo, centrado sobre a pessoa.

Através de uma série de encontros terapêuticos, o cliente adquire progressivamente uma compreensão de si próprio, tornando-se capaz de fazer face às realidades da vida de modo mais construtivo, de descobrir, usando os seus recursos internos, as suas soluções pessoais para os seus problemas.

Através da escuta incansável de material gravado com fins de investigação, Rogers teorizou a sua prática psicoterapêutica. Designou a empatia como uma variável significativa no relacionamento de ajuda. Trata-se de perceber as reações pessoais e sentimentos essenciais do cliente a partir do seu interior, tal como elas surgem ao próprio cliente, e comunicar-lhe esse entendimento.

Rogers escreve: “Ser empático é perceber o quadro de referência interno dos outros da forma mais precisa possível e com os componentes emocionais e os significados que lhe pertencem como se fôssemos essa pessoa, mas sem nunca perder de vista a condição de “como se”.

A empatia permite que o terapeuta participe o mais intimamente possível da experiência do cliente, permanecendo emocionalmente independente. Para Rogers, a empatia é um processo de entrada no mundo perceptivo dos outros, que permite que alguém se torne sensível aos movimentos afetivos que ocorrem no cliente, mantendo a consciência de ser uma pessoa separada dele.

Mucchielli faz o seguinte comentário: “Em nenhum lugar mais do que na compreensão de uma pessoa, o esforço de objetivação exige, ao mesmo tempo, por parte do Cuidador, a inteligência“ fria ”do que está acontecendo naquele de que se cuida e a imersão na subjetividade do cliente: é esse esforço que é designado como “empatia”, o esforço de descentramento em relação a si mesmo para entrar no universo do outro e entendê-lo humanamente ”.

(excertos do artigo de Edith Simon, 2009, “Processus de conceptualisation d’ “empathie”, Recherche en soins infirmiers, nº 98/3,  tradução e adaptação para o português de Ana Monção)

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