É possível encontrar uma saída? A tendência actualizante

É possível encontrar uma saída? A tendência actualizante

É possível encontrar uma saída? A tendência actualizante 1920 1080 Ana Monção

É possível encontrar uma saída?

A tendência actualizante

A tendência actualizante é individual, universal e inata — é uma tendência de todos os organismos vivos para desenvolver e actualizar o seu pleno potencial e para crescer em direcção à autonomia e à liberdade.

A concepção de Carl Rogers de “funcionamento saudável” baseia-se na crença (depois comprovada pela investigação de material videogravador de psicoterapias) na existência em todos os seres vivos de uma tendência para o auto-desenvolvimento ou crescimento — a ‘tendência formativa’ — que, quando aplicada ao desenvolvimento humano, recebe a designação de ‘tendência actualizante’. Trata-se de uma orientação natural de todas os seres vivos não só para o crescimento e a autonomia, mas para a libertação do controle de forças externas.

Desde cedo na sua carreira que Rogers constatou que os pacientes em psicoterapia não beneficiavam – ou então perdiam rapidamente o que tinham conquistado – quando eram guiados, interpretados ou dirigidos. Havia neles uma auto-determinação que parecia ser mais eficaz, sugerindo uma fonte interna orientada para a cura e o crescimento.

Rogers (1942) afirmou:

” A terapia não é uma questão de fazer alguma coisa a uma pessoa, ou de a induzir a fazer alguma coisa consigo própria. Em vez disso, é uma questão de a libertar para o crescimento e o desenvolvimento normais ”
(p. 29) (in Brodley 1999, 108, tradução minha)

Quando Carl Rogers era criança, havia uma lata na qual a família guardava as batatas para o inverno. Estavam numa cave, vários metros abaixo de uma pequena janela. Mesmo que essas condições fossem adversas para o cultivo das batatas, ainda assim elas brotavam, ainda que de forma tímida, tentando alcançar a janela, procurando luz e calor para crescerem e se tornarem plantas.

Quando trabalhou com pacientes cujas vidas estavam em total desordem, às vezes muito desestruturadas ou mesmo infra-humanas, lembrou-se daquelas batatas e de como elas procuravam a luz, esforçando-se para alcançar o seu potencial, fossem quais fossem as condições.

Rogers (1982) escreveu:

” Não encontro nenhuma tendência inata para a destruição, para o diabólico. Se os elementos para o crescimento estiverem presentes, a tendência actualizante desenvolve-se de formas positivas. Todas as pessoas têm a capacidade para se comportarem diabolicamente. Traduzir ou não esses impulsos em comportamentos depende de dois elementos: condicionamento social e escolha voluntária”
(p 88, tradução minha).
“Na terapia centrada no cliente a pessoa é livre para escolher qualquer direção, mas na verdade seleciona caminhos positivos e construtivos. Só posso explicar isso em termos de uma tendência direcional inerente ao organismo humano – uma tendência a crescer, a desenvolver, a realizar todo o seu potencial“
(Rogers (1986a), p. 127)

Uma vez que pode ser reconhecida a tendência actualizante no indivíduo, considera-se que a mudança terapêutica não é introduzida do exterior pelo terapeuta. Este funciona apenas como facilitador do processo de mudança espontânea no indivíduo, libertando uma capacidade já existente. Para o processo de mudança terapêutica concorrem, pois, a força motivacional que constitui a tendência actualizante, e as condições de facilitação de mudança fornecidas pelo terapeuta.

In Monção, A. 2001. Índices linguísticos de mudança terapêutica: análise de uma psicoterapia breve no quadro da Terapia Centrada no Cliente, dissertação de Doutoramento

Outras referências online:

https://www.adpca.org/system/files/documents/journal/Brodley%20ActualizingT%20PCJ6_2.pdf

https://www.researchgate.net/publication/232599966_Actualisation_A_functional_concept_in_client-centered_therapy

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