Coronavírus: um assunto incontornável

Coronavírus: um assunto incontornável

Coronavírus: um assunto incontornável 1920 1080 Ana Monção

CORONAVÍRUS

UM ASSUNTO INCONTORNÁVEL

Shivers (Parasitas da Morte) de Cronenberg, 28 dias depois de Danny Boyle, sobre um vírus que atinge o Reino Unido ou a série Pandemia, são filmes que trouxeram para o grande ecrã cenários que nunca imaginaríamos, nem de longe, viver como protagonistas.

No entanto, em 2020, a pandemia tornou o Covid 19 um assunto incontornável porque veio mudar de forma drástica e repentina as nossas vidas, exigindo-nos uma capacidade de adaptação rápida e que encontremos alternativas. Quando falo de alternativas, refiro-me a encontrar soluções pessoais, internas, que permitam a cada um de nós continuar em equilíbrio psíquico.

TEREMOS CAPACIDADE PARA ENCONTRAR UMA SAÍDA?

Muitos de vocês devem já ter visto nas redes sociais este vídeo. É o Coro Internacional de Roma em que vários cantores de ópera, isolados nas suas casas mas em conjunto, sob a direção de um maestro, cantam Verdi.

Ou este outro em que uma cantora de ópera canta da sua janela para os vizinhos, enquanto o filho ao seu lado segura um aparelho de rádio.

Ou ainda este, de um Centro Social da Paróquia de Polvoreira em que os cuidadores, com equipamento de protecção contra o coronavírus, dançam nos corredores ao som de música, num momento de descontracção.

Estes vídeos suscitam-nos emoções, comovem-nos. Comovem-nos porque demonstram uma capacidade que os seres vivos têm de, perante situações adversas, se ultrapassarem a si próprios e de encontrarem soluções alternativas. Até soluções inesperadas para si próprios, que não teriam pensado poder encontrar.

Enquanto psicoterapeuta eu acredito – e acredito não só porque comprovo nas consultas de psicoterapia, como se encontra cientificamente demonstrado – naquilo a que Carl Rogers, psicólogo americano, designou como “tendência actualizante”.

O que é a tendência actualizante? É a capacidade inata, presente nos seres vivos e, portanto, nos seres humanos, de crescerem em direção à liberdade e autonomia, recorrendo a recursos internos. Ou seja, a capacidade de, com os nossos recursos individuais (que frequentemente desconhecemos), abrirmos portas e encontrarmos boas soluções.

COMO ULTRAPASSAR A SITUAÇÃO?

A psicoterapia é, neste momento difícil, uma boa via para vos ajudar a encontrar essas portas de saída, removendo os obstáculos a fim de usarem uma capacidade que já possuem. Para o processo de mudança terapêutica concorrem, efectivamente, a força motivacional que constitui a tendência actualizante, e as condições de facilitação de mudança fornecidas pelo terapeuta.

Este momento de quarentena pode ser o momento em que veem a vossa vida sem subterfúgios, o que nela há ou houve de bom e menos bom. O que tem valor.

O tempo permite, portanto, Esperança mas exige igualmente reflexão, trabalho sobre nós mesmos. O que somos cada um de nós quando nos tiram as referências habituais? Tentarmos perceber quem somos, para onde queremos ir (e com quem), que portas temos de abrir, torna-se essencial.

No próximo post e vídeo vamos reflectir em conjunto sobre as consequências psicológicas, para todos, deste confinamento.

Para já leiam o post neste blog sobre as bases científicas da tendência actualizante e a história de vida inspiradora da Senhora do nº 6. Sobrevivente de uma situação extrema, o Holocausto, esta pianista sorridente de 109 anos mostra uma positividade imbatível e é feliz.

SE ELA CONSEGUIU, PORQUE NÃO NÓS?

Pensamentos da Senhora do nº 6

Foram dias difíceis para uma mãe… mas eu tocava! Mesmo sob a ameaça da morte

Senti que isto era a única coisa que me ajudava a ter esperança- Na realidade, era como uma espécie de religião. A Música é…Deus! Isso sente-se, especialmente em tempos difíceis, quando se está em sofrimento

Dormíamos num colchão, ele sentia o meu corpo. Quando uma mãe está junto do filho, tudo é superado. Ele não tem medo, isso transmite-lhe segurança.

Houve momentos maravilhosos. Eu sabia que, apesar desta situação muito difícil, existem momentos de beleza. Só coisas más, é coisa que não existe neste mundo. Eu diria que até o mau é bonito, quando se sabe onde procurá-lo. Tem de ser!

Por vezes sinto-me grata de ter lá estado. Porque isso me deu… sou mais rica do que outras pessoas. A minha atitude para com a vida é muito diferente. Todas as queixas “Isto é terrível”… Isto não é assim tão terrível…

A sobrevivência dependia, e só, da atitude perante a situação.

Quando estivemos no abismo do Inferno e nos levantamos de novo, aprendemos o que na vida é importante e o que não é.  E o que importa são muito poucas coisas. A vida, as relações humanas… e pouco mais! O resto não é importante, pode muito bem viver-se sem o resto (frases de uma amiga, também deportada)

Depende de mim a vida ser boa ou não… de mim…não da vida. Tudo é bom e mau. Eu olho para o lado bom.

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