A atitude não directiva (2)

A atitude não directiva (2)

A atitude não directiva (2) 600 504 Ana Monção

(Sartre por Antanas Suktus, 1965)

O facto de a Terapia Centrada no Cliente ser não directiva tem implicações não só no modo como a terapia é praticada, como no que o cliente experiencia. Vários estudos demostraram que esta atitude desenvolve no cliente capacidades construtivas de auto-determinação e autonomia. Brodley (1995a: 22), reflectindo a partir de quarenta anos de prática terapêutica, chama a atenção para três principais benefícios para o cliente, decorrentes da atitude não directiva:

1. o cliente encontra os seus próprios insights, faz as suas próprias escolhas, encontra as suas próprias estratégias;

2. os clientes parecem tornar-se não directivos em relação a si próprios, ou seja, mais reflexivos e mais tolerantes em relação ao seu próprio self. As suas escolhas têm origem nos seus sentimentos/sensações internas e nos seus processos pessoais avaliativos, mais do que nas expectativas sociais ou familiares;

3. no que diz respeito ao processo terapêutico em si, os clientes parecem tornar-se mais auto-determinados. A ausência de directivas terapêuticas e de expectativas por parte dos terapeutas, reforça a capacidade dos clientes para assumirem o momento e o conteúdo das suas narrativas, o tipo de tópicos que lhes parece melhor ou possível de abordar num determinado momento. Os clientes tendem também a responsabilizar-se pela estrutura e duração da sua terapia, dentro dos limites estabelecidos pelo contrato terapêutico;

4. a atitude não directiva do terapeuta cria um espaço em que o cliente se auto-energiza, em que desenvolve a sua criatividade na resolução dos seus problemas e se abre a novas experiências

(continua)

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